http://www.youtube.com/watch?v=aJlNP8eKqRE
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Fadenco III
http://www.youtube.com/watch?v=aJlNP8eKqRE
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Fadenco II
| ||||
| ||||
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Fadenco I
A origem do Fado perde-se no tempo, tal como a do flamenco, mas posso afirmar-te que existe uma raiz indo-europeia que é transversal a ambos os estilos.
Ambos identificam sentimentos de nostalgia, tristeza, abandono mas tambem alegria e festa. No fundo, cristalizam em si os momentos chave das vidas dos individuos que, ao longo dos tempos, continuam a fazer sentido no contexto social de um povo. Nessa dimensão, partilham semelhanças com muitas produções culturais (musicais) em todo o mundo, como o tango, samba, klezmer, Sufi, e muitos outros.
No entanto, na minha opinião, o flamenco revela-se, em termos de análise musical, mais rico do que o fado, uma vez que a dimensão ritmica, harmonica e melódica é mais elaborada e diversa. Quanto ao valor expressivo, a análise é sempre subjectiva, estando sujeita ao gosto pessoal e à capacidade dos interpretes/compositores. Em pormenor, na análise do canto, existem afinidades que foram sendo introduzidas pelo contacto proximo entre as duas culturas. A Amália, por exemplo, era conhecida pela forma como "enrolava" as melodias, "como se fazia nas beiras" dizia. Era uma influencia indirecta do flamenco. Os exemplos inversos tambem se conseguem encontrar, não duvido, se bem que não tenho conhecimento para aqui o demonstrar. Talvez alguem mais habilitado possa elaborar sobre este assunto...
Da minha parte tenho paixões fortíssimas em ambos os universos. Para mim, tenho que sentir na arte um reconhecimento de algo que é maior do que nós e nos une a todos os outros seres, vivos ou não, que compõem o espaço/tempo como o experiênciamos. E isso, ou está lá, ou não.
Abraço, com duende e alma fadista!
História penada por Pedro Antunes. Gracías!
Guitarra Portuguesa

Num blog que pretende partilhar ideias e sentires sobre comunidades ciganas e flamenco, esta história será uma excepção. Ou não... Digam-me vocês!
No Sábado tive o prazer (mais uma vez) de assistir ao Projecto Conhecendo Paredes/Afinidades do meu amigo/ex-colega/compadre/padrinho/jaleador esporádico mas incontornável deste Caderno - Pedro Antunes- e do seu amigo João Fernandez.
E à medida que a música das guitarras preenchia o espaço, assombrava-me uma vez mais com a "afinidade" entre aqueles sons e os sons mais jondos do Flamenco. E voltou-me a vontade de descobrir as fronteiras entre o Fado e o Flamenco. Existem? Existe uma alma Ibérica? A Dulce Pontes e a Estrella Morente consideram que sim, a avaliar pelo Projecto Fadenco Dulce Estrellla que desenvolveram em 2008.
Por agora, e enquanto ele remói o assunto, que já deve estar a ver tudo negro... ayayayyy, deixo-vos o link para irem espreitar o Projecto. É só clicar em http://www.guitarraportuguesa.net/, ouvir as músicas que estão disponíveis em Download ou ver o vídeo que está na Galeria.
Pedro Antunes! Ficamos à espera. Da tua história cigana. Da partilha dos saberes sobre as guitarras (e não violas, isso já aprendi!!!). De te ver e ouvir num vídeo um "bocadito melhori". Um Olé com Duende para ti! Evidentemente! :)
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Ojos de Brujo - Aocaná

Numa altura em que o duende parece ter ido de férias (um eufemismo pobre, diga-se!, para a preguiça), fui copiar uma história a um site que acompanho - www.esflamenco.com.
E cá estão eles de volta, os Ojos de Brujo, com um novo álbum que se chama Aocaná, editado em Março deste ano. Mais um álbum e mais uma palavra caló para o léxico. Aocaná significa Agora.
Ainda não o ouvi com atenção mas deixo-vos aqui um cheirinho... Um olé suave... Arza! E mais abaixo a entrevista.
| |||||||||
| |||||||||
Coisas com Duende:
www.ojosdebrujo.com
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
V Festival de Flamenco - Almada

Música e Dança
25 e 26 de Setembro 2009
Horário - 21h30
Local - Fórum Municipal Romeu Correia, Almada
Durante dois dias, sempre às 21h30, o Flamenco vai estar em destaque no Fórum Municipal Romeu Correia.
O Fórum Municipal Romeu Correia recebe, nos dias 25 e 26 de Setembro, a quinta edição do Festival de Flamenco de Almada, um espectáculo de cor, música, dança e muito salero.
No dia 25 pelas 21h30 é apresentado Amira, um espectáculo que conjuga duas culturas musicais, a música árabe-andalusi e o flamenco puro. No dia 26 de Setembro, também pelas 21h30, é apresentado um espectáculo, Alma Flamenca, que faz um percurso pelos diferentes géneros de flamenco incluindo solos de cante e guitarra.
Programação
Dia 25 Setembro
Amira
21h30 - Fórum Municipal Romeu Correia
Dia 26 Setembro
Alma Flamenca
21h30 - Fórum Municipal Romeu Correia
organização
Câmara Municipal de Almada
Fórum Municipal Romeu Correia
condições de participação
Bilhete para cada um dos espectáculos: €7
Espectáculo para maiores de 6 anos
informações
Fórum Municipal Romeu Correia
Praça da Liberdade
2800 - 648 Almada
Tel.: 21 272 49 20
Fax: 21 272 49 49
email: bibl.mun.alm@cma.m-almada.pt
sítio: www.m-almada.pt/bibliotecas
sexta-feira, 31 de julho de 2009
O Formulário A39
Confesso que tinha saudades de participar na Interequipas do ICE (http://www.iceweb.org/). Há quase dois anos que não me acontecia e apesar de entupida em trabalho e da minha presença lá significar rebentar com a agenda, bati o pé e ARZA!, pus-me a caminho de Azaruja, entre Évora e Estremoz. Não me arrependi…
As Interequipas são, para mim, momentos de convívio e reflexão sobre a animação comunitária e a democracia participativa, com pessoas desassossegadas de norte a sul do país. Numa altura em que a nossa democracia nos vai impingindo o Manual Social do Bem-Dizer e do Bem-Intervir, estes encontros lembram-me episódios do “Alô, Alô”, onde espero sempre que me apareça numa das tertúlias uma francesa de gabardine a sussurrar-me em tom conspirativo: I only say this once!
Todas as Interequipas têm um tema. Todas me deixam a conspirar sozinha, com os meus botões. Todas me fazem questionar o que faço e como o faço. Todas me deixam um ou outro momento marcado para a eternidade. Esta , que se realizou no sossego de um monte rural, em data que não posso especificar (para que os formulários das candidaturas cumpram os requisitos), teve como tema: “Para a Construção de um Pensamento Estratégico”.
Falou-se e muito sobre a “Cidadania no exercício da profissão” e sobre o “Desenvolvimento Local e Periferias Urbanas”. Como não me proponho nesta história a escrever o Formulário A38, deixo esse relatório para outro dia e outros espaços. O que escrevo nesta história é o que retenho enquanto profissional, mas sobretudo enquanto pessoa desassossegada e que teima em resistir à formatação social. Nesta história fica o Formulário A39…
Alínea a) – Fazer dos obstáculos, recursos
Diz-se que devemos aproveitar as sinergias dos intervenientes para construir projectos. Que devemos ter objectivos comuns. Evitar o conflito a qualquer preço. Rentabilizar recursos, é o lema das parcerias. Nas nossas cabeças isto pressupõe caminharmos juntos…
Algures no distrito de Portalegre, aqui há uns anos atrás, dinamizava-se um projecto de formação profissional com a comunidade cigana. Os homens ciganos frequentavam um curso de pintura, que lhes assegurava o rendimento mínimo. Impôs-se a concretização dos ensinamentos. Ora o posto da GNR local precisava de ser caiado. Foi-lhes proposto que os ciganos o pintassem. O comandante entrou em parafuso: “E as armas? A sala das armas?” Após intensas negociações, mais difíceis de gerir para o lado das forças de segurança, a iniciativa aconteceu. O posto foi caiado e o dia terminou com um convívio entre ciganos e GNRs. Pelo meio, o comandante a dizer, nervoso: “Mas aqui há ciganos!” E o responsável pelo projecto a responder-lhe: “Mas aqui há GNRs!!!”…
Alínea b) – Navegação à vista em vez de navegação cartográfica
Para fazermos o nosso trabalho precisamos muitas vezes de nos candidatarmos a financiamentos. Preenchemos formulários, com campos bem definidos, que nos limitam o número de caracteres. E não só… Definimos objectivos. Estabelecemos indicadores de avaliação. Sabemos o que queremos e onde queremos chegar. Se chegarmos lá (onde?, que já me perdi…) temos o dinheirito para fazer as acções e beneficiar as populações-alvo.
As acções pressupõem o envolvimento das comunidades. O trabalho em proximidade. A construção conjunta de um projecto. A participação das pessoas. Como pode estar isto definido a priori? Se o caminho se vai fazendo, adaptando à medida das necessidades, dos sentires, dos afectos?
Pegue-se no exemplo dos projectos de inserção do rendimento mínimo. As famílias recebem o subsídio e acordam um plano de inserção, definido antes! Anula-se não só a individualidade de cada pessoa, como o seu contributo único para o todo social.
Contava uma das participantes que, num dia mais desassossegado, decidiu enviar para a União Europeia o relatório de execução de um projecto de acordo com o que efectivamente tinha acontecido, valorizando as estratégias e os resultados qualitativos, em total incumprimento com os requisitos do formulário exigido. Passaram dois anos e ainda ninguém pediu justificações… Alguém lê o que escrevemos?
Alínea c) – O Homem é um Animal Político
Exercemos o direito de voto. Elegemos representantes. Que definem os formulários que nos orientam a vida. A abstenção e os “brancos” sobem. Não queremos saber da política?
Assistimos hoje a um desaparecimento dos espaços de discussão. A construção de alternativas de pensamento reduz-se aos espaços criados pela política partidária. Como exercer activa e efectivamente a nossa cidadania? Como criar espaços de democracia participada?
A política faz parte de nós. Somos animais sociais. O nosso desenvolvimento acontece na comunicação com os outros. Como dar sustentabilidade a movimentos de participação cidadã? Uma das propostas é exigir o financiamento por parte da democracia representativa. Isto faz sentido? Não ficaremos reféns dos seus formulários?
Aproveitar os corredores de liberdade e dar expressão ao animal político que há em nós…
Disposições (Quase) Finais
Estas são as alíneas que me apetece escrever no momento. Conto convosco, resistentes da formatação social, para continuarmos o preenchimento deste Formulário A39. E já agora, a talho de foice: democracia participativa ou participada?
Destes dois dias de reflexão alucinante, retenho a expressão dita por alguém numa das tertúlias e que, suspeito, acompanhará o resto dos meus dias:
“Se não puderes ajudar, atrapalha. Afinal, o importante é participar!”
(Esta história é para o Rui d’Espiney, guru das reflexões socioeducativas. Que defende o “É proibido proibir”… Que descobriu, após profunda reflexão, suponho, ter dois tipos de preconceitos… E mais não escrevo porque I only say this once! Um Olé com Duende para ele! E que os corredores de liberdade continuem a acontecer nestes pachadroms onde nos vamos encontrando…)